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VOCÊ CONHECE A DISLEXIA?

Por Kelly Cristina da S. Campos – Pedagoga Especialista em Psicopedagogia 



Compreendida como um transtorno de aprendizagem de origem neurológica, a dislexia é um grave problema escolar que chega a atingir até 17% das crianças em todo o mundo.


Pode ser considerado disléxico o indivíduo que, apesar de possuir inteligência normal ou superior à média, ter recebido escolarização adequada e bons estímulos sócioculturais, enfrenta grandes dificuldades para distinguir e memorizar letras, compreender palavras e frases, tendo afetadas assim suas capacidades de ler e de escrever. Tais dificuldades são manifestas desde o início da vida escolar da criança, persistindo caso não haja intervenção profissional especializada que possibilite a minimização dos sintomas.


Pesquisas recentes apontam que a causa da dislexia é genética, ocasionando alterações nas conexões das áreas cerebrais responsáveis pela aprendizagem da leitura e escrita. O disléxico encontra, portanto, grande dificuldade em associar sons às letras que os representam, tornando difícil o ato de ler, pois mesmo que seja uma palavra que já havia sido estudada, para ele a impressão é de que está sendo vista pela primeira vez.


Tal alteração neurobiológica significa apenas que o disléxico tem uma maneira diferente de aprender e não está de forma alguma associada à falta de inteligência, pois geralmente ele é mais curioso e criativo que os demais.


Ainda na Educação Infantil, alguns sinais já podem apontar para um possível quadro de dislexia: dispersão, fraca atenção, atraso na fala, dificuldade em aprender rimas e canções, coordenação motora fraca, etc. Já no Ensino Fundamental, as maiores dificuldades são quanto à cópia de livros e do quadro, coordenação motora fina irregular (traçado de letras, de desenhos e pintura), confusão entre direito e esquerdo, leitura muito lenta e insegura para a idade, falta ou adição de letras, confusão entre letras com escrita ou sons parecidos (a/o, c/o, f/t, m/n, b/d, b/p, f/v, etc.), inversão de letras (mãe/meã, sol/los) dificuldade em soletrar, em compreender textos e aprender sequências como, por exemplo, os dias da semana. Em alguns casos a dislexia é acompanhada de disgrafia (letra feia) e discalculia (dificuldade em matemática). Como saber ler é base fundamental para outras aprendizagens, quando não recebe auxílio devido, o disléxico segue acumulando defasagens em várias disciplinas escolares e obstáculos na aprendizagem de um segundo idioma.


É importante destacar que, mesmo sendo observados alguns desses sinais, não significa que a criança é disléxica. Há de se considerar a exclusão de fatores como déficit intelectual, dificuldades auditivas, lesões cerebrais e comprometimentos emocionais. Por se tratar de sintomas que podem também estar associados a outros fatores e não somente à dislexia, o diagnóstico deve ser realizado por uma equipe multidisciplinar, composta por psicólogo, psicopedagogo clínico e fonoaudiólogo, sendo ainda necessária muitas vezes avaliação oftalmológica e neurológica.


Ao contrário do que muitos pensam a dislexia não impossibilita a aprendizagem da leitura e da escrita, porém, por se tratar de um transtorno pouco conhecido pelos profissionais da Educação, o aluno disléxico geralmente é vítima de exigências que não consegue cumprir como os demais, pois para ele o ensino precisa ser diferenciado, oferecendo-lhe estratégias pedagógicas adequadas.


Por desconhecimento da escola e da família, muitas vezes a dislexia é confundida com falta de inteligência ou preguiça para estudar, e o disléxico, incompreendido, passa por situações constrangedoras que muitas vezes deixam marcas traumáticas, colaborando para o surgimento de comportamentos indisciplinados e agressivos, ou tímidos e inseguros.


A intervenção clínica multidisciplinar possibilitará ao disléxico encontrar suas próprias estratégias de aprendizagem, superando as dificuldades escolares, aumentando sua autoestima e conquistando uma vida profissional sem nenhuma restrição. Para isso também é necessária orientação à escola e à família. Sei que a dislexia e outros transtornos da aprendizagem são tão complexos, que a discussão sobre cada um não caberia no limitado espaço deste artigo. O que pretendi aqui foi transmitir informações que possam ajudar pais e professores a olharem com mais atenção para as crianças que não estão conseguindo aprender como o esperado.


Sejam quais forem as dificuldades que encontrem, nosso dever é saber ajudá-las e amá-las, com a certeza de que cada uma é especial.

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